segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Guerra do Peloponeso

         Hoplita espartano
Durante as Guerras Médicas, o papel de liderança dos atenienses garantiu a vitória contra o imenso exército persa. Para tanto, Atenas sugeriu formar uma liga de cidades-Estado que teria a função de arrecadar fundos e material bélico para fazer frente aos exércitos comandados pelo rei Xerxes. Dava-se início à Liga de Delos, que não só conseguiu derrotar os persas, bem como se transformou em uma instituição que protegeria a Hélade de outras invasões estrangeiras.
Controlada por Atenas, as riquezas acumuladas pela Liga de Delos passaram a ter uma função diferente da original. Os atenienses aproveitaram daquela riqueza disponível para impor seus interesses econômicos sobre as demais cidades-Estado e promover várias obras públicas que aprimoraram a beleza e a segurança de sua própria cidade. Com o passar do tempo, o chamado imperialismo ateniense instigou outras cidades gregas a se unirem contra tal situação. Por meio dessa aliança surgiu outra força militar, Liga do Peloponeso, então liderada pelos espartanos.
O clima de rivalidade instalado entre as cidades-Estado gregas eclodiu quando a colônia de Córcira decidiu se voltar contra a cidade de Coríntio, pertencente à Liga do Peloponeso. Aproveitando da contenda, os atenienses aproximaram a Córcira da Liga de Delos através do apoio militar cedido nesse primeiro confronto. Por sua vez, Esparta, aliada militar dos coríntios, resolveu agir contra os atenienses em uma grande ofensiva que tomou conta da região Ática.
Nos primeiros dez anos do confronto, entre 431 e 421 a.C., houve um visível equilíbrio de forças entre as tropas envolvidas. Enquanto os espartanos conduziam habilmente os exércitos terrestres, as forças militares atenienses eram praticamente imbatíveis pelo mar. A igualdade de forças traçou a assinatura da Paz de Nícias, acordo que oficializaria uma trégua de cinquenta anos. Contudo, Atenas acabou descumprindo a medida ao retomar os conflitos em 413 a.C..
O recomeço da Guerra do Peloponeso for claramente marcado pela soberania das forças lideradas por Esparta. Em uma expedição à ilha de Siracusa, Atenas sofreu uma vergonhosa derrota que resultou na captura de 20 mil homens que foram transformados em escravos. Depois disso, Esparta viu que o momento era favorável para um novo avanço sobre a região da Ática. Na Batalha de Egos-Pótamos (404 a.C.), o almirante espartano Lisandro decretou a derrocada dos atenienses.


Com fim da guerra, o modelo político aristocrático se revigorou dentro da Grécia e Esparta passou a impor seus interesses sobre as demais pólis gregas. Nessa fase, o enorme desgaste causado pela Guerra do Peloponeso fez com que os persas retomassem o controle de algumas colônias gregas da Ásia Menor. Depois disso, novas disputas militares iniciaram um novo ciclo de guerras entre as cidades-Estado. Ao fim desses penosos confrontos, os macedônios aproveitaram da situação para invadir a Grécia

Guerras Médicas (ou Greco-Pérsicas)

No decorrer da formação de seu amplo império, os persas tiveram sob o seu domínio um grande conjunto de territórios politicamente e economicamente subjugados aos seus interesses. O antigo Império Persa detinha territórios que envolviam regiões que iam desde a Península Balcânica até o atual Afeganistão. Foi nesse momento que algumas cidades gregas dominadas pela hegemonia persa resolveram mobilizar-se contra a grande potência oriental.

Os jônios (povos gregos do litoral da Ásia Menor), contando com o apoio militar das cidades-Estado da Eritréia e de Atenas, realizaram um ataque, por volta de 497 a.C., que culminou na destruição da cidade persa de Sárdis. Na época, o rei persa Dario I iniciou uma batalha contra a civilização grega espalhada ao longo da Península Balcânica a partir da repressão contra os jônios na Batalha de Lade, em 494 a.C..

Tempos depois, os exércitos persas se encarregaram de controlar a Trácia e a Macedônia para posteriormente cruzar o mar Egeu em busca da total dominação do mundo grego. Em sua primeira investida, os persas almejaram liquidar Atenas e Eritréia. Após subjugarem a Eritréia, os exércitos de Dario I partiram rumo à Atenas. Mesmo contando com um exército avantajado, os persas foram derrotados pelos atenienses que se valeram do conhecimento geográfico que tinham da planície de Maratona, local onde foram deflagrados os conflitos.

Precavendo-se de uma futura revanche, o político e general ateniense Temístocles buscou o reforço das defesas marítimas da região com a construção de 180 tirremes. Tempos depois, com a ascensão de Xerxes, o império persa preparou um estrondoso exército de mais de 200 mil homens. Em sua primeira investida o exército persa enfrentou 6 mil homens comandados pelo rei espartano Leônidas. Antevendo a resistência na Batalha de Termópilas, o exército persa contou com a traição de um morador local que indicou outra entrada pela trilha de Amôpaia.

Essa trilha podia garantir uma vitória dos persas. Foi nesse momento que o lendário destacamento reunindo Leônidas e seus trezentos melhores soldados dirigiram-se contra os persas. Nesse meio tempo, a população ateniense deslocou-se para a Ilha de Salamina. Depois de vencerem a resistência espartana, os persas encontraram a cidade-Estado de Atenas completamente abandonada. Após incendiar Atenas, os persas foram em busca dos fugitivos atenienses. Contando com as dificuldades para atravessar o canal de Salamina, as ágeis tirremes gregas conseguiram abater as grandes embarcações persas.

Com o fim das batalhas em território europeu, os gregos venceram os persas na Batalha de Micale, reconquistando a costa da Ásia menor e os estreitos entre o mar Egeu e Negro. Mesmo impondo a derrota aos persas, diversas cidades-Estado gregas uniram-se em torno de uma liga político-militar capitaneada por Atenas. Conhecida como Confederação de Delos, essa nova instituição grega formou um fundo bélico e monetário destinado a barrar um futuro contra-ataque persa.

Dispondo dos recursos da Confederação, exércitos gregos foram incumbidos de reconquistar cidades gregas espalhadas pela Ásia Menor. Sob o comando do general grego Címon, os persas foram finalmente derrotados em 468 a.C.. Sem mais poder reagir, os persas acabaram assinando o Tratado de Susa onde se comprometiam a não mais empreenderem ataques contra os gregos.


Com o fim dos conflitos, a Confederação de Delos permaneceu ativa e sob o controle de Atenas. Dispondo de seus recursos, os atenienses tomaram como objetivo a dominação política sob as demais cidades-Estado da confederação. Foi o início do chamado imperialismo ateniense.