Artigo em destaque, em 20/09/2014
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livre.
As críticas à Rede Globo
referem-se ao extenso histórico de controvérsias nas relações desta rede de
televisão brasileira com a sociedade do país. A emissora possui uma capacidade
sem paralelo de influenciar a cultura e a opinião pública.
A principal polêmica histórica da
estação televisiva e das Organizações Globo está ligada ao apoio dado à
ditadura militar e a censura dos movimentos pró-democracia nos noticiários do
canal. O regime, segundo os opostos à emissora, teria rendido benefícios ao
grupo midiático da família Marinho, em especial para o canal de televisão que,
em 1984, fez uma cobertura omissa das Diretas Já.4 A própria Globo reconheceu
em editorial lido no Jornal Nacional, 49 anos depois e pressionada pelas
manifestações de junho de 2013,5 6 7 que o apoio ao golpe militar de 1964 e ao
regime subsequente foi um "erro".
No final da década de 1980, a
emissora novamente foi alvo de críticas devido à edição que promoveu do último
debate entre os candidatos a presidente na eleição de 1989, o que teria
favorecido Fernando Collor de Mello.9 No final da década de 1990, as
Organizações Globo enfrentaram diversos problemas financeiros que teriam sido
aliviados pelo Estado apesar de se tratar de uma empresa privada. Durante o
período, a emissora utilizou sua influência entre os políticos para conseguir
mudar um artigo da Constituição Federal para permitir a entrada de 30% de
capital estrangeiro nas empresas de mídia.
Em 2002, o governo federal
ofereceu ajuda de 280 milhões de reais à Globocabo através de financiamento do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A emissora voltou
novamente a ser alvo de críticas pela cobertura supostamente tendenciosa das
eleições de 2006 e 2010. Mais recentemente, foi revelado que as Organizações
Globo possuem problemas com a Receita Federal. Entre 2010 e 2012, o
conglomerado foi notificado 776 vezes por sonegação fiscal.
A Rede Globo foi fundada em 1965,
um ano após o golpe de estado de 1964 e se consolidou como maior rede de
televisão do país durante a década de 1970. Neste período, o regime militar
implementou uma política de modernização das telecomunicações. Em 1965, criou a
Embratel, ao passo em que o Brasil se associou à Intelsat. Em 1968 foi criado o
Ministério das Comunicações e no mesmo ano surgiram as primeiras emissoras de
rádio FM e foi criada a AERP (Assessoria Especial de Relações Públicas) que
reforçava a necessidade de propagar ideais ufanistas e nacionalistas. Em 1969 o
país se integra ao sistema mundial de comunicação por satélite. A intenção do
regime era se opôr à hegemonia cultural caracteristicamente de esquerda da
época. Uma de suas armas para isso teria
sido a televisão, tendo o regime feito vistas grossas à parceria, vetada por
lei, entre Roberto Marinho e a multinacional Time-Life, o que contribuiu para o
salto tecnológico da Rede Globo.
Segundo as Organizações Globo, O
Globo apoiou o golpe militar de 1964 fazendo parte de um "posicionamento
amplamente majoritário" contra o governo do presidente João Goulart.
Afirma também que Roberto Marinho acreditava na vocação democrática do
presidente Castello Branco e na eficácia da política econômica desenvolvida por
Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões. No entanto, o grupo nega que o
crescimento da Rede Globo se deu graças à estreita ligação de Roberto Marinho
com o regime implantado em março de 1964, citando como exemplos disso a
dificuldade em obter concessões para canais de televisão em João Pessoa e
Curitiba em 1978, alguns casos de censura a sua programação, além do fato de
que alguns de seus profissionais eram membros do Partido Comunista Brasileiro.
No entanto, como apontou Renato Ortiz, a censura não era generalizada, uma vez
que "sua principal função era impedir a emergência de determinadas ideias,
notícias, publicações que estivessem contrárias à lógica ditatorial de difundir
ideais de progresso, harmonia e desenvolvimento".
Em sua autobiografia, no entanto,
Walter Clark, diretor-geral da Rede Globo, confessou ter cancelado os programas
de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo
Borges, chefe de polícia no estado do Rio de Janeiro. Além disso, Clark afirmou
ter contratado um ex-diretor da censura para "ler tudo que ia para o
ar" e uma "assessoria especial" formada pelo general Paiva
Chaves, pelo civil linha-dura Edgardo Manoel Erickson ("pelego dos milicos",
conforme disse) e mais "uns cinco ou seis funcionários". Além disso,
relatou receber o presidente Emílio Garrastazu Médici em seu gabinete na Globo,
onde assistiam aos jogos de futebol exibidos pela emissora aos domingos.
Segundo ele, o denominado "padrão Globo de qualidade" acabou
"passando por vitrine de um regime com o qual os profissionais da TV Globo
jamais concordaram".
Em entrevista ao documentário
britânico Beyond Citizen Kane, o ex-ministro da Justiça (1974-1979) Armando
Falcão afirmou que "o doutor Roberto Marinho nunca me criou qualquer tipo
de dificuldade. Eu, ministro-censor, ele diretor do Globo, da televisão Globo,
da Rede Globo, da Rádio Globo, da Rádio Mundial, da Rádio Eldorado, ele nunca
me criou dificuldade". O próprio Médici chegou a afirmar, sobre o Jornal
Nacional, em entrevista: "Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a
televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves,
agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em
paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um
dia de trabalho".15 Em 2012, um ex-delegado do Dops relatou a proximidade
entre o regime e a Globo.
Em 2013, as Organizações Globo
reconheceram e desculparam-se publicamente, através de um editorial publicado
no jornal O Globo e que também foi lido por William Bonner durante o Jornal
Nacional, por terem apoiado a ditadura militar instaurada no país depois do
golpe militar de 1964. No texto do editorial, o jornal afirma: "À luz da
História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o
apoio [ao golpe de 1964] foi um erro, assim como equivocadas foram outras
decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A
democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por
si mesma."
Diretas Já
No dia 25 de janeiro de 1984, foi
ao ar, pela primeira vez em rede, aquele que é considerado o primeiro grande
comício das Diretas Já, realizado na praça da Sé, em São Paulo. Naquele dia, o
telejornal exibiu reportagem de dois minutos e dezessete segundos sobre o tema.
No entanto, ocorreu um equívoco durante a escalada do Jornal Nacional; 25 de
janeiro é também o dia do aniversário da cidade de São Paulo, e por conta de um
suposto erro técnico, o apresentador do telejornal acabou anunciando o comício
como parte das comemorações dos 430 anos da cidade. A emissora recebeu críticas
que diziam que não havia sido uma falha técnica, mas sim uma manipulação de
dados.
José Bonifácio de Oliveira
Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente das Organizações Globo afirmou, em
entrevista a Roberto D'Ávila em 2005, que foi Roberto Marinho quem determinou a
censura do primeiro grande comício das Diretas Já. Segundo Boni, "o doutor
Roberto não queria que se falasse em Diretas Já" e decidiu que o evento da
praça da Sé fosse transmitido "sem nenhuma participação de nenhum dos discursantes".
O que teria ocorrido no episódio, ainda de acordo com ele, foi uma
"censura dupla" (por parte do regime e da emissora). A versão oficial
da Globo, relatada no livro Jornal Nacional - A Notícia Faz História, porém, é
de que a emissora não omitiu que o comício fizesse parte das Diretas e que é
falsa a versão de que emissora noticiou o evento como parte das comemorações
pelo aniversário da cidade de São Paulo.
Caso Proconsult
Em 1982, a Globo teria tido
participação no chamado caso Proconsult, uma tentativa de fraudar as eleições
para o governo do Rio de Janeiro, impossibilitando a vitória de Leonel Brizola,
candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT). A empresa Proconsult,
contratada pela Justiça Eleitoral para apurar os votos do pleito, desenvolveu
um sistema informatizado de apuração dos votos que, no entanto, não batia com a
apuração paralela divulgada pelo Jornal do Brasil e comandada pelo jornalista
Paulo Henrique Amorim. A Globo, que havia publicado editorial favorável ao
candidato Moreira Franco na véspera da votação,19 se ateve à apuração oficial
divulgada pelo Proconslt.
Segundo o jornalista Hélio
Fernandes, da Tribuna da Imprensa, a fraude só não se concretizou devido à
participação do delegado da Polícia Civil Manoel Vidal, escalado para
fiscalizar a apuração. Vidal percebeu que havia algo de errado na apuração
tendo, em seguida, contatado o também delegado Arnaldo Campana, ligado a
Brizola. O candidato do PDT, censurado nos veículos das Organizações Globo,
concedeu uma entrevista aos correspondentes estrangeiros explicando a situação
que ocorria. A fraude foi exposta e os jornalistas do conglomerado foram
hostilizados nas ruas do Rio de Janeiro. Por outro lado, a emissora respondeu
que "nunca contratou a Proconsult" e "se baseava nos números de
O Globo, responsável por uma totalização própria, realizada a partir dos mapas
oficiais apurados pelo TRE".
Caso NEC
Durante o regime militar, a NEC
Brasil foi obrigada a nacionalizar seu capital. Por isso, cedeu o controle
acionário da empresa ao grupo Brasilinvest de Mário Garnero. À época da
redemocratização, a NEC Brasil havia se tornado a maior fornecedora de
equipamentos de telecomunicação para o governo brasileiro. Em 1986, o então
ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães criou dificuldades
econômicas para a NEC Brasil ao suspender os contratos do governo com a
empresa, cujo principal cliente era o governo federal. Com o grupo em crise, a NEC do Japão recomprou
as ações da NEC Brasil e as vendeu para as Organizações Globo por um milhão de
dólares. Logo em seguida, ACM restabeleceu os contratos e a empresa passou a
valer 350 milhões de dólares.
Em dezembro de 1986, depois de
ACM ter ajudado as Organizações Globo a comprar as ações da NEC Brasil, a Globo
concedeu a ACM o direito de tornar sua emissora de televisão na Bahia uma
afiliada da Globo, o que ocorreu em janeiro de 1987, um mês após o acordo
NEC-Globo. O acordo NEC-Globo foi noticiado na época pela imprensa brasileira
(até na própria Globo e na TV Bahia) inicialmente como legal. Porém o acordo
ficou sob suspeita quando a TV Bahia deixou inesperadamente de retransmitir o
sinal da Rede Manchete para retransmitir o da Globo em janeiro de 1987. A
situação gerou um processo dos proprietários da TV Aratu, retransmissora da
Globo na Bahia por 18 anos, contra os donos da TV Bahia, mas a contenda
judicial terminou três dias depois, quando ficou acordado que a TV Bahia
retransmitiria a Globo e, a TV Aratu, a Manchete. A quebra de contrato
unilateral por Roberto Marinho ocasionou uma queda de 80% na arrecadação da TV Aratu
As suspeitas contra o acordo
NEC-Globo só vieram a tona nacionalmente com as primeiras denúncias de
corrupção do Governo Collor em 1992. Com o fim das empresas do Grupo Telebrás,
as Organizações Globo venderam suas ações na NEC Brasil, que teve seu apogeu
durante o monopólio estatal das telecomunicações.23 As operadoras europeias e
norte-americanas que compraram as empresas telefônicas estatais optaram por
manter seus parceiros ocidentais na área de tecnologia, e a NEC teve sua
presença no mercado reduzida.23 Atualmente, o capital da NEC Brasil pertence
100% à NEC do Japão.24
Eleições de 1989 e Impeachment
Fernando Collor de Mello teria
sido favorecido pela Rede Globo em detrimento de Luiz Inácio Lula da Silva.
A emissora é acusada de ter
ajudado a eleger o candidato a presidente Fernando Collor de Mello (dono da TV
Gazeta de Alagoas, retransmissora da Globo) nas eleições de 1989, através da
manipulação de trechos do último debate entre Collor e o candidato petista Luiz
Inácio Lula da Silva. Na época do debate, já no segundo turno, as pesquisas
apontavam um empate técnico entre os dois candidatos; logo, o confronto na
televisão seria decisivo para definir a disputa.27 Lula se saiu mal no debate,
fato reconhecido pelo seu próprio partido.
A Rede Globo, que procurou a
isenção na cobertura do processo eleitoral, parece ter assumido um lado na reta
final da disputa. Foram exibidas duas reportagens sobre o debate no dia 15 de
dezembro de 1989, antevéspera do segundo turno das eleições. Uma delas foi ao
ar no Jornal Hoje e, a outra, no Jornal Nacional, sendo essa a mais polêmica. A
primeira reportagem mostrou as melhores intervenções de cada candidato e a
segunda teria favorecido Collor, pois teria mostrado os melhores momentos dele
e os piores de Lula. O PT moveu uma ação no Supremo Tribunal Federal contra a
Globo. O partido queria que novos trechos do debate fossem exibidos, a título
de direito de resposta, mas o pedido foi negado.
A Globo sempre negou que agiu de
má-fé no episódio, mas admite que a edição não foi equilibrada. Segundo Boni, a
Central Globo de Jornalismo fez uma edição favorável a Collor, não seguindo a
orientação da direção da empresa para que o tratamento fosse imparcial. Já
Roberto Marinho, diante da declaração de Boni, afirmou que o então
vice-presidente das Organizações Globo não entendia de eleições e que o Jornal
Nacional tinha sintetizado de maneira correta o debate, visto que Collor havia
se saído melhor. Em 2009, Collor admitiu que foi favorecido pela Globo na
disputa.
Grande parte da mídia apoiou
abertamente a campanha de Collor à presidência. No entanto, de acordo com o
historiador Gilberto Maringoni, doutor em História pela USP, por incapacidade
de manter maioria no Congresso e por entrar em confronto com uma parte
expressiva do empresariado nacional, Collor acabou por influenciar por si só a
mudança de postura da imprensa. A crise econômica com a volta da inflação, uma
das consequências do confisco da poupança, e a intensa cobertura investigativa
da imprensa ajudaram a impulsionar as manifestações sociais que culminaram no
impeachment.
Direito de resposta de Leonel
Brizola
Leonel Brizola recebeu direito de
resposta a ser veiculado pelo Jornal Nacional após dois anos de disputa
judicial.
Em 15 de março de 1994, a Rede
Globo colocou no ar, durante o Jornal Nacional, o direito de resposta obtido
pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, após dois anos de
disputa judicial. Brizola havia entrado na Justiça contra a Globo em 1992,
depois que o jornalístico de 6 de fevereiro daquele ano divulgou trechos do
editorial que seria publicado no dia seguinte pelo jornal O Globo, intitulado
"Para entender a fúria de Brizola". O governador do Rio, que queria
impedir a emissora de transmitir o desfile das escolas de samba daquele ano,
era acusado pelo editorial do jornal carioca de sofrer "declínio da saúde
mental" e de "deprimente inaptidão administrativa".
Na resposta que foi ao ar, lida
pelo locutor Cid Moreira, Brizola dizia não reconhecer na Globo
"autoridade em matéria de liberdade de imprensa" e que a emissora
teve "longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a
ditadura de 20 anos que dominou nosso país". Brizola dizia ter sido
"apontado como alguém de mente senil". Na sequência, argumentava:
"Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que meu difamador, Roberto Marinho, que
tem 86 anos. Se é este o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos,
que os use para si".34 O portal Observatório da Imprensa avaliou que
"a contribuição de Brizola ao país, no campo da política e do avanço
social, nunca foi grande coisa [...] mas esse célebre episódio foi uma espécie
de divisor de águas no capítulo da liberdade de imprensa. Soou como uma senha
para a multiplicação de ações e para a escalada de condenações de jornais e
jornalistas que se seguiu".
Eleições de 2006
De acordo com a revista
CartaCapital, o Jornal Nacional não informou sobre a tragédia do Voo Gol 1907,
mas focou toda a sua edição no "Escândalo do Dossiê".
Houve várias críticas à forma
como a Globo fez a cobertura das eleições gerais de 2006. A emissora teria
atuado para prejudicar a campanha do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva
à reeleição, dando atenção exagerada a fatos negativos envolvendo o PT. Luiz
Carlos Azenha, o repórter destacado para cobrir a campanha presidencial do
candidato tucano Geraldo Alckmin, confirma que houve a intenção de prejudicar o
PT na cobertura. Segundo ele, "tinha sido determinado desde o Rio que as
reportagens de economia deveriam ser esquecidas porque supostamente poderiam
beneficiar a reeleição de Lula".38 Além disso, Azenha afirma que uma
reportagem de sua autoria potencialmente danosa para o então candidato a
governador de São Paulo, José Serra, foi censurada pela Globo.38 As críticas à
forma como estava cobrindo as eleições levaram a emissora a fazer,
internamente, um frustrado abaixo-assinado em apoio a sua linha editorial.
O evento mais comentado pelos
críticos foi quando, na véspera da votação do primeiro turno, a Rede Globo deu
enorme destaque à imagem do dinheiro que havia sido apreendido no contexto do
Escândalo do Dossiê. Hoje é sabido que o delegado da PF que havia comandado a
operação convidou quatro jornalistas para uma conversa reservada e repassou os
CDs com as fotos. A conversa foi inteiramente gravada e nela se pode ouvir os
apelos do delegado para que as imagens fossem parar na edição do Jornal
Nacional do mesmo dia, 29 de setembro. No caso da Rede Globo, ressalta-se que,
na mesma noite em que exibiu as fotos, o telejornal se absteve de informar
sobre a tragédia do Voo Gol 1907, em que morreram 154 pessoas. Assim, ao mesmo
tempo em que a notícia já repercutia no mundo inteiro, a edição ao vivo do
jornal se dedicava somente a dar destaque à divulgação do escândalo político.
Por outro lado, segundo publicado pela emissora no Memória Globo, era
"impossível dar a notícia durante a exibição do jornal, já que não haviam
informações concretas sobre o acidente":
“ Os
rumores de que um avião da Gol não pousara no horário certo em Brasília
chegaram à redação do Jornal Nacional por volta de 20h10, quando o telejornal
já estava no ar. A partir desses rumores, iniciou-se uma corrida frenética para
verificar o que houve com o avião, com exatidão, para que não se criasse pânico
na população. A primeira confirmação era de que, de fato, um avião da Gol
estava desaparecido desde as 18h10, mas a Infraero não confirmava a rota nem o
número do voo. Sem essas informações, era impossível divulgar uma informação
sobre o avião desaparecido, sem provocar grande angústia em todos aqueles que
tinham parentes ou amigos voando Gol. Não eram poucos: no dia 29 de setembro de
2006, 54 aviões da Gol levantaram voo. Cada um deles podia levar até 144
passageiros; a ocupação média era de 80% dos assentos. A Gol calcula que
transportou naquele dia 6.200 pessoas. Não divulgar o número do voo ou a rota
seria colocar sob suspeição todos os 54 voos, um procedimento que um telejornal
líder de audiência, visto por milhões, não pode fazer. Enquanto esteve no ar,
até as 20h45, o Jornal Nacional, e nenhum outro telejornal de outra emissora,
conseguiu esses dados. ”
Algumas semanas após o fim das
eleições, Rodrigo Vianna, repórter que estava se desligando da emissora,
divulgou uma carta aberta onde critica várias das posturas da emissora durante
o período eleitoral, dando sua visão de como os processos se davam
internamente. Na carta, Vianna diz, assim como Azenha, que a direção da
emissora barrou reportagens e investigações que envolvessem o PSDB e o então
candidato ao governo de São Paulo, José Serra. Segundo ele, alguns jornalistas
questionaram as opções editoriais da Globo, mas não receberam respostas convincentes
de seus superiores. Logo após as eleições, Vianna foi afastado da cobertura
política e destacado para atuar nos jornais locais. O comentarista político
Franklin Martins, que mais tarde se tornaria Secretário de Comunicação Social
de Lula, também foi afastado. Segundo Vianna, "Do Bom dia Brasil ao Jornal
da Globo, temos um desfile de gente que está do mesmo lado".
Eleições de 2010
Jingle de aniversário
Em 18 de abril de 2010, a
emissora lançou, no Fantástico, uma campanha em comemoração aos seus 45 anos de
rede, que aconteceria em 26 de abril daquele ano. O logotipo da emissora
aparecia ao lado do número quarenta e cinco e de frases de atores da emissora,
falando frases do jingle como "todos queremos mais". Em determinado
trecho da peça, os atores falam: "Todos queremos mais. Educação, saúde e,
claro, amor e paz. Brasil? Muito mais". Segundo o deputado federal do
Paraná e secretário de Comunicação do PT, André Vargas, o jingle embutiria, de
forma disfarçada, propaganda favorável à José Serra, candidato a presidente
pelo PSDB, concorrente do PT. Na mensagem estavam embutidas o "45", o
número de registro do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral, e frases do jingle
como "todos queremos mais", o que, de acordo com os petistas, seria
uma referência ao slogan de Serra, "o Brasil pode mais".
Logo no primeiro dia de
veiculação da campanha institucional dos 45 anos, a TV Globo tirou do ar a
campanha. A emissora afirma que o filme foi criado em novembro de 2009, quando
"não existiam nem candidaturas muito menos slogans, mas a Rede Globo não
pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a
veiculação do filme." O colunista Luís Nassif, no entanto, contestou a
justificativa da emissora, afirmando que a campanha teria sido gravada em 14 de
abril, três dias depois que Serra lançou sua pré-candidatura, apontando para
isso notícias do próprio portal da Globo.com.
Agressão a José Serra
Uma reportagem apresentada pela
Globo no segundo turno da campanha apontava que José Serra havia sido agredido
com um rolo de fita por militantes petistas durante um ato da campanha no Rio
de Janeiro, passando mal em seguida e dirigindo-se a um hospital onde foi
examinado. Ele teria cancelado os demais compromissos do dia por ordem médica.
Entretanto, reportagem do SBT mostrou que Serra havia sido atingido por uma
bolinha de papel, continuou caminhando até receber um telefonema, e então, 20
minutos depois, é que levou a mão à cabeça para se queixar do
"golpe". Serra teria, então, feito uma tomografia, mas não foi
encontrado nenhum ferimento. O ocorrido gerou uma onda de críticas no Twitter à
cobertura promovida pela Rede Globo do episódio, fazendo com que as hashtags
#serrarojas (uma referência ao jogador de futebol chileno Roberto Rojas, que
bolou uma suposta agressão para cancelar uma partida das eliminatórias da Copa
do Mundo de 1990 e evitar que a seleção brasileira vencesse a chilena) e
#BolinhadePapelFacts se popularizassem.
No dia 21 de outubro de 2010, a
Folha de S. Paulo publicou uma reportagem na qual revelava que Serra havia sido
atingido por um rolo de fita adesiva depois da bola de papel. No mesmo dia, o
Jornal Nacional levou ao ar uma reportagem completa sobre o assunto. Em 22 de
outubro, ambos Folha e O Estado de S. Paulo confirmaram que Serra fora atingido
em dois momentos: primeiro por uma bola de papel, e dois por um rolo de fita. O
SBT também confirmou em seu telejornal SBT Brasil que as imagens da bolinha de
papel eram anteriores ao ataque com o rolo. Cinco dias depois, a revista Veja publicou uma
reportagem intitulada "Pau na democracia", cuja possuía trechos na
qual o jornalista Fábio Portela acusava o SBT de omitir o rolo de fita que fora
jogado à cabeça de Serra. O canal, por sua vez, respondeu que "o
telejornal SBT Brasil veiculado no dia do episódio, quarta-feira 20, exibiu
apenas as imagens captadas por nossas câmeras, que registraram o incidente com
a bolinha de papel. Até aquele momento não tínhamos conhecimento de outro vídeo
captado por um jornalista da Folha de S. Paulo, por celular, que mostrava o
episódio posterior, em que um rolo de fita crepe atinge a cabeça do candidato
Serra. Quando tomou conhecimento desse novo fato, o SBT tratou de registrá-lo
no mesmo dia em seu telejornal da meia-noite. No SBT Brasil do dia seguinte,
quinta-feira, o apresentador Carlos Nascimento voltou ao assunto, ressaltando
que o segundo incidente não fora captado por nossa equipe, mas frisou que o
candidato José Serra fora atingido duas vezes em um intervalo de poucos minutos."
Conclusão da Globo sobre o caso:
[...] não houve, portanto, nenhuma disputa entre SBT e Globo sobre
bolinha de papel. Em todo o episódio, o mérito, a bem da verdade, foi da Folha
de S. Paulo. Foi o jornal quem noticiou primeiro a agressão a Serra com um rolo
de fita adesiva. Foi o jornal quem pôs na internet um vídeo do momento da
agressão. O Jornal Nacional, num trabalho independente, confirmou os achados da
Folha.
Eleição de 2012
Houve várias críticas à forma
como a Rede Globo fez a cobertura do julgamento do caso conhecido como
Mensalão, que coincidiu com as eleições municipais no Brasil em 2012. No mês de
outubro de 2012, às vésperas do segundo turno das eleições municipais, o Jornal
Nacional dedicou 18 dos seus 32 minutos de duração para abordar o julgamento,
tendo ainda como agravante o fato da matéria ter ido ao ar imediatamente após o
fim do horário eleitoral, que, em São Paulo, foi encerrado com o programa de
Fernando Haddad, candidato do PT. Durante todo o segundo turno o noticiário do
mensalão foi apresentado pelo telejornal sempre logo após ao fim do horário
eleitoral.
Manifestações de 2013
Durante a série de manifestações
populares que ocorreram em várias cidades brasileiras em 2013, protestos em
frente às sedes da emissora aconteceram por todo o país. A sede da empresa em
São Paulo teve estrume lançado sobre a sua fachada, além dos muros terem sido
pichados. No protesto na sede da emissora no Rio de Janeiro, os manifestantes
entraram em confronto com a polícia.
A emissora foi alvo de várias
críticas pelas redes sociais durante os protestos. No dia 19 de junho, durante
o Jornal Nacional, a apresentadora Patrícia Poeta leu um editorial feito pela
própria emissora, falando sobre os atos contra a rede. No dia seguinte, a
emissora exibiu flashes sobre as manifestações em todo o país. Estava marcado,
para o mesmo dia, uma cobertura de um jogo da Copa das Confederações FIFA de
2013, mas a cobertura foi cancelada e a emissora decidiu priorizar a cobertura
dos protestos; duas novelas não foram levadas ao ar naquele mesmo dia: Flor do
Caribe e Sangue Bom. Por tal razão, a emissora perdeu audiência, mas sua
atitude foi bem-recebida na internet.
Eleições de 2014
Em 8 de agosto de 2014, pouco
antes do início do horário eleitoral, matérias veiculadas em O Globo e nos
telejornais da emissora acusaram o Palácio do Planalto de alterar informações
nas páginas de Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, com o
objetivo de difamá-los. As edições, feitas em maio de 2013 por um dispositivo
conectado à rede de internet do Palácio, qualificam as análises de Leitão como
"desastrosas" e a acusa de ter defendido "apaixonadamente"
o banqueiro Daniel Dantas quando este foi preso pela Polícia Federal, citando
como prova um comentário de Leitão na Rádio CBN onde ela defendia a inocência
de Dantas. Já Sardenberg é acusado de ser crítico à política de juros do
governo por ter um irmão que trabalha na Febraban.
O Palácio do Planalto, em nota,
explicou que não possui maneiras de identificar o autor das críticas, uma vez
que o IP usado para a alteração servia tanto à rede interna quanto à rede sem
fio, o que possibilitaria a qualquer visitante fazer tal alteração. As
Organizações Globo foram criticadas por divulgar alterações nas biografias de
seus contratados na Wikipédia, ferramenta de caráter colaborativo e aberta à
edição de todos e que, segundo seu próprio criador, Jimmy Wales, não deve ser
usada como fonte primária de informação. Também foi criticada por só noticiar a
alteração mais de um ano depois e em período de campanha eleitoral. O
jornalista Miguel do Rosário relatou caso semelhante que ocorreu na rede sem
fio da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo e disse que
já visitou o Palácio do Planalto, onde obteve acesso à senha da rede sem fio do
gabinete presidencial. A Globo, segundo seus críticos, estaria descontente com
a possibilidade de disseminação de informações produzidas de maneira não-linear
pela internet.
Esportes
Em 27 de maio de 2012, houve uma
luta do UFC transmitida pela Globo, que dizia ser "ao vivo", mas o
Combate, pertencente à Globosat, exibiu a luta 30 minutos antes da Globo. Ou
seja, a Globo gravou a luta, mas pôs "ao vivo" em cima do seu
logotipo na marca d'água, o que gerou críticas contra a emissora, principalmente
nas redes sociais.
Monopólio de transmissão em
eventos esportivos
Críticas à Rede Globo Acho que
a CBF não tem uma interferência dentro do futebol tão grande. A CBF cuida
apenas da Seleção Brasileira. Quem realmente cuida do futebol brasileiro é a
Globo. A gente sabe que a Globo trabalha na dependência da novela. A gente
brinca aqui no Coritiba que os jogos de quarta-feira só rolam depois do último
beijo da novela.
— Alexsandro de Souza, jogador do Coritiba
A Rede Globo é frequentemente
acusada de deter o monopólio das transmissões esportivas, principalmente do
Campeonato Brasileiro de Futebol. Esse monopólio, que começou aos poucos no
início dos anos 90, só foi facilitado graças ao lançamento das primeiras
operadoras de TV por assinaturas no Brasil, coincidindo também com a
desistência das principais redes concorrentes em exibir tais eventos
esportivos, sob alegação de que possuíam altos custos de transmissões e baixa
audiência. Depois disso, com esses direitos oferecidos às Organizações Globo,
configurou-se a prática de cartel, que impedia outras redes transmitir as
partidas, já que até então os canais das Organizações Globo eram os únicos a
transmitir, dividindo as transmissões com a Bandeirantes.
Em 20 de outubro de 2010, depois
de 10 anos de tentativas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE)
emitiu orientação ao Clube dos 13 (grupo que reúne 20 grandes times do futebol
brasileiro, mas é chamado Clube dos 13) para que não desse preferência à Globo
na transmissão das partidas de futebol do Campeonato Brasileiro e que se
comprometesse a oferecer pacotes diferentes de divulgação para cada tipo de
mídia (TV aberta, TV fechada, pay per view, internet e celular) a partir dos
campeonatos de 2012 a 2014. Apesar disso, o Clube dos 13 desrespeitou a
orientação do CADE e firmou contrato com a Rede Globo para todas as mídias.
Dessa maneira, a Globo manterá seu monopólio sobre a transmissão do Campeonato
Brasileiro, pelo menos até 2015.
Segundo matéria do Esporte
Fantástico da Rede Record, exibida em 17 de agosto de 2013, a Globo seria a
principal responsável pelo baixo público presente nas partidas do Campeonato
Brasileiro de Futebol daquele ano. Segundo a reportagem, a prática da emissora
carioca de forçar a exibição das partidas após o final da novela das nove, com
início por volta das 22 horas, inibe a presença do público nos estádios. Poucos
dias antes, em entrevista ao portal LanceNet, Alexsandro de Souza, artilheiro
do Coritiba, declarou que a prática da emissora é desumana para com os
torcedores. Recentemente, a Record conseguiu quebrar o monopólio da Globo ao
adquirir os direitos de transmissão de grandes eventos esportivos como
Olimpíadas de Inverno de 2010, Jogos Pan-americanos de 2011, Olimpíadas de
2012, Olimpíadas de Inverno de 2014, Jogos Pan-americanos de 2015 e Olimpíadas
de 2016 (essa última em parceria com a Globo e a Band). Apesar disso, a Globo
manteve o direito de transmissão da Copa do Mundo FIFA de 2018 e de 2022, num
processo de concorrência criticado pela Record por sua falta de transparência.
Receita Federal e Criança Esperança
As Organizações Globo possuem
problemas com a Receita Federal. Entre 2010 e 2012, o conglomerado foi
notificado 776 vezes por sonegação fiscal. A maior parte das autuações envolve
a apreensão de equipamentos, sem o recolhimento de impostos, no Aeroporto do
Galeão, no Rio de Janeiro. Ainda segundo a Receita, a empresa praticou fraude
contábil ao negociar um perdão de R$ 158 milhões em dívidas com o banco JP
Morgan em 2005.3 A emissora, multada em 730 milhões de reais, contesta a
cobrança, mas foi derrotada em uma das instâncias do Ministério da Fazenda, o
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em setembro de 2013. Além disso, o
conglomerado teria sonegado o Imposto de Renda ao usar um paraíso fiscal para
comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo FIFA de 2002. Após o
término das investigações, em outubro de 2006, a Receita Federal quis cobrar
multa de R$ 615 milhões da emissora. No entanto, semanas depois o processo
desapareceu da sede da Receita no Rio de Janeiro. Em janeiro de 2013, a
funcionária da Receita, Cristina Maris Meinick Ribeiro, foi condenada pela
Justiça a quatro anos de prisão como responsável pelo sumiço. No processo, ela
afirmou ter agido por livre e espontânea vontade.
Um documento datado de 15 de
setembro de 2006, liberado pelo site WikiLeaks em 2013, cita que a Rede Globo
repassou à UNESCO apenas 10% do valor arrecadado desde 1986 com a campanha
filantrópica Criança Esperança, promovida em parceria com a agência das Nações
Unidas (à época 94,8 milhões de reais). A emissora afirmou
"desconhecer" essa informação e afirmou que "todo o dinheiro
arrecadado pela campanha é depositado diretamente na conta da Unesco".
Beyond Citizen Kane
Em 1993, o Channel Four, uma
grande cadeia de TV britânica, produziu um filme, criado por Simon Hartog e
intitulado Beyond Citizen Kane, que conta a história da Rede Globo de Televisão
e suas "ações sombrias" no país até o ano de 1990. O documentário foi
proibido no Brasil desde 1994, graças a uma ação judicial movida por Roberto
Marinho. Atualmente existem poucas cópias em circulação no Brasil, além de
versões piratas circulando pela internet, como no YouTube. O filme conta com a
participação de alguns artistas, políticos, e especialistas como Luiz Inácio
Lula da Silva, Chico Buarque, Leonel Brizola e Washington Olivetto. O
documentário jamais esteve no circuito de cinemas brasileiros e a exibição que
ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi proibida pelo então
presidente da República, Itamar Franco.
No país, o documentário recebeu o
título de Muito Além do Cidadão Kane. O título teve origem no personagem
Charles Foster Kane, criado em 1941 por Orson Welles para o filme Citizen Kane,
que por sua vez, tratava-se de um um drama de ficção baseado na trajetória de
William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o
documentário, a Globo empregaria a mesma manipulação grosseira de notícias para
influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme. De acordo com matéria
veiculada na Folha Online em 28 de agosto de 2009, a produtora que montou a
filmagem é independente e a televisão pública britânica não teve qualquer
relação com seu desenvolvimento. Já a Record sustenta que a BBC, outra emissora
pública do Reino Unido, estaria relacionada com sua produção.
O documentário é dividido em 4
partes:
-na primeira parte é mostrada a
relação entre a Rede Globo de Televisão e o período militar, em que se veem
fatos sociais que ocorreram no país em decorrência do governo;
-na segunda parte apresenta-se o
acordo firmado entre a Globo e o grupo Time-Life;
-na terceira parte evidencia-se o
poder do proprietário da emissora, Roberto Marinho. Mostra-se também o suposto
apoio da mesma à saída dos militares do poder, na figura do candidato à
presidência da República Tancredo Neves;
-na quarta parte, tida como a mais
importante e reveladora do filme, mostram-se às claras "os envolvimentos
ilegais e mecanismos manipulativos utilizados pelas Organizações Globo em suas
obscuras parcerias para com o poder em Brasília". Contudo, o documentário
não apresenta fontes primárias, apenas entrevistas.
A Globo tentou comprar os direitos
de exibição do filme. Entretanto, antes de morrer, Hartog formou um acordo com
organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não
caíssem nas mãos da emissora, a fim de que este pudesse ser amplamente
conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. O canal perdeu o
interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram tal
acordo, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen
Kane no Brasil. De acordo com a Folha de S. Paulo, na década de 1990, a direção
da Record havia tentado comprar os direitos de exibição do documentário, mas
"percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das
muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não
comprá-lo". No entanto, em agosto de 2009, no auge de uma troca de
acusações mútuas entre as emissoras, provocadas por acusações de lavagem de
dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus, a Record comprou os direitos de
transmissão do documentário por aproximadamente 20 mil dólares, e espera a
autorização da justiça para transmiti-lo.
Escândalo do Papa-Tudo
No início da década de 1990, com
a finalidade de concorrer com a Tele Sena, pertencente à Silvio Santos e seu
conglomerado, a Globo lançou em parceria com o então banqueiro Artur Falk um
título de capitalização intitulado Papa-Tudo, que tinha César Filho e Fausto
Silva como apresentadores e Xuxa Meneghel como garota-propaganda. A venda era
semelhante à da concorrente supracitada: o título era adquirido em casas
lotéricas e unidades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e, caso o
comprador não fosse contemplado, poderia resgatar metade do valor pago após um
ano ou comprar um novo título pela metade do preço. Antes mesmo do lançamento,
o jornalista Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, disse que "aquilo
cheirava a um grande golpe e que não tinha uma chance em um milhão de dar certo
um empreendimento entre Artur Falk e Roberto Marinho".
Consoante o Observatório da
Imprensa, "prometiam que, além da recompra garantida, os futuros
compradores ainda concorreriam a grandes prêmios milionários e parte da
arrecadação ainda seria destinada a instituições de caridade. E numa colossal e
obscena 'pirâmide', infestaram o Brasil inteiro com promessas milagrosas de
enriquecimento fácil, sempre tendo à frente a exclusividade da Globo, a
insuspeita Xuxa e a benemerência de instituições de caridade. Embalado pelos
heróis da Globo e pelos "embaixadores" da Unicef, o país inteiro
comprou, muitas e muitas vezes, os bilhetinhos do 'titio' Artur Falk,
veiculados pela Rede Globo e apresentado pela irrepreensível Xuxa".
Entretanto, chegou uma época que a ECT e as lotéricas pararam de resgatar os
bilhetes, pois não recebiam os prêmios do Papa-Tudo. O título anunciou que
indenizaria os compradores, mas tal ato não ocorreu. Todo o escândalo culminou
na prisão de Artur sob a acusação de estelionato. Por outro lado, ninguém da
emissora foi responsabilizado.
Compra da TV Paulista
Em 1955, Oswaldo Ortiz Monteiro
decidiu vender a TV Paulista, a qual era proprietário, às Organizações Victor
Costa, devido às dificuldades enfrentadas pela emissora. 55% do capital da
concessão, formada por 15.099 ações, foi entregue ao conglomerado. Victor Costa
morreu enquanto aguardava a transferência da TV Paulista para seu nome ser
aprovada pelo então Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL). O filho
de Costa ficou no comando, embora as ações de controle ainda ficassem em nome
dos ex-acionistas. Nove anos depois, ele vendeu o canal à Roberto Marinho,
mesmo sem os documentos de transferência, mas as ações originais de controle
continuaram em nome da família Ortiz Monteiro por mais 13 anos. Em 1977, o
Dentel aprovou a transferência das ações dos Ortiz Monteiro para Roberto
Marinho, com base nos recibos e procurações apresentados pela Globo. Então, a
emissora foi transformada em TV Globo São Paulo.
Após a morte de Monteiro, em
1990, sua família começou a investigar uma possível fraude na compra da TV
Paulista pela Rede Globo. Uma perícia realizada no ano de 2003 pelo instituto
paulista Del Picchia revelou que as assinaturas foram falsificadas e incluíram
desde nomes de pessoas falecidas antes da transferência até o uso de máquinas
de escrever que ainda não existiam na época do ato. Os advogados da cadeia
carioca, por outro lado, apresentaram parecer técnico do perito Antonio Nunes
da Silva atestando que os recibos e procurações em poder da família Marinho
eram autênticos.83 Em 2010, foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça
que os documentos eram verdadeiros. Em contrapartida, quatro anos depois, o
senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, protocolou no Senado um
requerimento ao Ministério das Comunicações com informações sobre os supostos
atos administrativos irregulares que aprovaram a transferência da concessão do
canal 5 à Marinho.
TV Diário fora das parabólicas
No dia 25 de fevereiro de 2009, a
TV Diário, emissora pertencente ao Sistema Verdes Mares, também proprietário da
TV Verdes Mares, afiliada da Globo em Fortaleza, deixou de ser transmitida pelo
satélite de antenas parabólicas, pela qual alcançava toda a América do Sul e
parte do Caribe, e pelas afiliadas que possuía pelo território brasileiro, deixando
os telespectadores surpresos. Os que tentaram assistir à programação da Diário
pelas afiliadas passaram a acompanhar outras redes a partir daquele dia.
Consoante informações anteriores e posteriores à saída da rede, a saída da
programação da TV Diário do satélite deveu-se a pressões das Organizações Globo
ao Sistema Verdes Mares, que era responsável pela TV Verdes Mares, "por
conta do excessivo crescimento da audiência da TV Diário em muitos locais do
país, inclusive no eixo Rio-São Paulo, o que ameaçava os nichos de mercado da
Rede Globo".
Ao sair do satélite, a emissora
passou a restringir sua cobertura apenas ao estado do Ceará, além dos estados
vizinhos e algumas cidades do interior do estado de São Paulo pela TV aberta e
sistemas de televisão por assinatura, entre elas a Você TV, através da DTHi, a
partir de agosto de 2009. Com a saída da Diário do satélite, a Rede União
tornou-se a única rede instalada no Ceará exibir satélite em todo o Brasil e
todas as Américas (do Sul, Central, Norte e ilhas do Caribe) partes da Europa e
África. A Rede Globo respondeu que "a TV Globo, como cabeça da Rede Globo,
formada por 121 emissoras, procura harmonizar os sinais de VHF e UHF de forma
que estes fiquem circunscritos a seus territórios de cobertura. Desta forma, em
busca de uma harmonia entre todos e pelo respeito recíproco aos interesses, a
atuação da TV Diário estará restrita a seu território de cobertura, não sendo
mais captada em territórios de outras afiliadas. Seu sinal permanecerá no
satélite, cobrindo o estado do Ceará, porém, codificado".90 A atitude da
Globo foi amplamente criticada; moradores da região Nordeste promoveram um
boicote ao canal de TV no dia 13 de março de 2009, mas o movimento não
repercutiu.91 Um acontecimento semelhante ocorreu com a Amazon Sat, de
propriedade da Rede Amazônica, que entre os anos de 1998 e 2004 podia ser
assistida pelas parabólicas, entretanto a partir daí o sinal foi codificado e
somente pode ser captado por parabólicas com receptor digital através da
aquisição de cartão com o código para decodificação. A partir de 2014, a
emissora voltará a ser transmitida nacionalmente, através do satélite SES-6,
utilizado pela Oi TV.
Discriminação
No dia 16 de setembro de 2008, o
humorístico Casseta & Planeta, Urgente! levou ao ar um quadro chamado
Otário Eleitoral Gratuito, onde um dos candidatos, o personagem "Tinoco, o
homem toco", que não tinha braços nem pernas, declarava: "Você me
conhece: eu sou o Tinoco, o homem toco. Vote em mim, que eu não vou meter a
mão; e se eu roubar não vou conseguir fugir", de modo a "debochar
genericamente dos políticos e dos deficientes físicos". Tal conteúdo levou
o Grupo de Ação pela Cidadania de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais a
abrir um processo na Procuradoria Regional dos Diretos dos Cidadãos de São
Paulo contra a TV Globo de São Paulo por discriminação às pessoas deficientes.
Troca de nomes
Em 2011, a rede foi processada
pelo bartender Igor Pachi, que teve sua imagem confundida com a do BBB Igor
Gramani. De acordo com sua advogada, Shirley Klouri, "a Globo, sites do
Grupo e o canal Multishow exibiram fotos e vídeos de seu cliente na divulgação
do programa e causaram problemas a ele". O rapaz conseguiu uma liminar
pedindo a retratação da cadeia e indenização mínima de 150 salários mínimos.
Edições na Wikipédia
Em 8 de agosto de 2014, uma
matéria do portal de O Globo96 afirmou que um dispositivo conectado à internet
através da rede sem fio do Palácio do Planalto alterou, em maio de 2013,
informações das páginas de Miriam e Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, com
o objetivo de difamá-los. As informações inseridas no artigo de Miriam
qualificavam suas análises e previsões econômicas como "desastrosas",
além de acusá-la de ter defendido "apaixonadamente" o banqueiro Daniel
Dantas quando este foi preso pela Polícia Federal.61 Esta última acusação
ocorreu em razão de comentário de Miriam na Rádio CBN onde ela defendia a
inocência de Dantas.
O Palácio do Planalto, em nota,
explicou que o endereço IP usado na alteração era utilizado tanto pela sua rede
interna quanto pela rede sem fio do Palácio. Isso possibilitaria a qualquer
visitante do Planalto realizar tal alteração. No entanto, o Planalto
identificou o autor das alterações como sendo um servidor da Secretaria de Relações
Institucionais e o funcionário foi exonerado.
As Organizações Globo foram
criticadas por divulgar alterações das biografias de seus contratados na
Wikipédia, ferramenta de caráter colaborativo e aberta à edição de todos e que,
segundo seu próprio criador, Jimmy Wales, não deve ser usada como fonte primária
de informação. Também foram criticadas por só terem noticiado as alterações em
plena campanha eleitoral de 2014. O jornalista Miguel do Rosário divulgou que
um usuário que navegava através da rede da Companhia de Processamento de Dados
do Estado de São Paulo inseriu uma calúnia na biografia do músico Raul Seixas. Ele também relatou que já visitou o Palácio do
Planalto e que teve acesso à senha da rede sem fio do gabinete presidencial.