sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Qual o caminho a seguir?




Ultimamente tenho observado com desprazer a grande profusão de mensagens políticas postadas nas redes sociais, agredindo quem as lê com termos chulos e demonstrações de vulgaridade explícita, cujo objetivo manifesto é demonizar grupos e facções e canonizar outras, cada lado tentando convencer que possui a varinha mágica ou a poção que vai varrer do país todas as suas mazelas.
                         Nessas mensagens está sempre embutida a ideia de que tudo de mal que existe é sempre culpa do lado contrário e o que é pior, alguns que durante muito tempo usufruíram do poder, contribuindo para a realidade que hoje se apresenta, apostam na falta de memória das massas para vender a imagem de "salvadores da pátria".
                         Os que hoje bradam de forma furiosa contra a corrupção e a malversação do dinheiro público, esquecem, talvez por conveniência, que tal prática existe desde a época em que estas terras eram colônia, se constituindo numa herança perversa absorvida ávida a prazerosamente por uma elite que sempre achou que trabalho é coisa de seres inferiores e que conseguir o que se quer usando de “atalhos” é sinônimo de inteligência e esperteza, o que originou a abominável expressão “jeitinho brasileiro”, que nada mais é senão sinônimo de safadeza.
                         Para citar alguns exemplos recentes na história do país houve, ainda sob a égide do regime militar, o tristemente famoso escândalo da mandioca ocorrido em Pernambuco no final dos anos 70 e que resultou até no assassinato de um procurador de justiça, já nos anos 80 proliferaram escândalos financeiros, como os dos grupos Coroa Brastel e Delfin, e dos Bancos Nacional e Econômico (este último de propriedade de um ex-ministro de estado), sem falar do à época célebre escândalo dos anões do orçamento isso já nos anos 90. Para os que não lembram o chefe dos anões, deputado João Alves, declarou ter sido premiado centenas de vezes na loteria para justificar seu patrimônio. Ah foi também nos anos 90 que se criou um programa de socorro aos pobres banqueiros nacionais que, estavam quebrados, o PROER, ou seja, enquanto a imensa maioria do país encontrava-se com salários arrochados ou desempregada, o governo da época socorria os pobres donos de bancos que, por ganância, incompetência ou coisa pior, estavam na bancarrota.
                         Urge percebermos que corrupção não é marca registrada de grupos ou facções, mas sim desvio de caráter, conduta criminosa que dever ser exemplarmente combatida com práticas cotidianas, pois, o sujeito que suborna o guarda de trânsito, que paga propina para obter facilidades em órgãos públicos, que frauda um concurso público, em nada se difere dos envolvidos no famigerado mensalão. É fundamental que a população tenha a percepção de que práticas danosas ao interesse social existem em todo lugar, o que as inibe é o combate eficaz, é a convicção de que constatadas as irregularidades e identificados seus autores, os mesmos não ficarão impunes, pois, é a impunidade a combustível que estimula sua continuidade, para isso necessariamente teremos que ter leis eficazes, o que só será possível se elegermos pessoas sérias e competentes, uma vez que serão elas as responsáveis pela elaboração de tais leis. O binômio seriedade e competência se constituiu em “conditio sine qua” para a realização desse objetivo. Não basta apenas um desses predicados, muitas pessoas apesar de sérias não possuem o conhecimento exigido para ocupar um cargo público, podendo ser enganadas em sua boa fé, outras, ao contrário, podem mostrar-se extremamente capacitadas, porém, com índole para o crime. Logo, conclui-se que a seriedade, a honestidade, deve andar de mãos dadas com a competência, se de fato se quer fazer desse um país de e para as pessoas de bem, sem apelos demagógicos, mas sobretudo sem arroubos de reacionarismo como tem sido observado em manifestações país afora, inclusive por alguns pretensos formadores(as) de opinião. Nesse processo assume especial relevância o papel de um poder a quem cabe administrar a justiça, o judiciário, que deve a todo custo conquistar a confiança da sociedade, pois, um judiciário fraco, desacreditado ou inepto, se constituiu em uma grave ameaça ao estado de direito e, consequentemente ao regime democrático.
P.S. Uma sociedade esclarecida pensa por si própria, não precisa que lhe formem as opiniões.
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