Ultimamente tenho
observado com desprazer a grande profusão de mensagens políticas postadas nas
redes sociais, agredindo quem as lê com termos chulos e demonstrações de
vulgaridade explícita, cujo objetivo manifesto é demonizar grupos e facções e
canonizar outras, cada lado tentando convencer que possui a varinha
mágica ou a poção que vai varrer do país todas as suas mazelas.
Nessas mensagens está
sempre embutida a ideia de que tudo de mal que existe é sempre culpa do lado
contrário e o que é pior, alguns que durante muito tempo usufruíram do poder,
contribuindo para a realidade que hoje se apresenta, apostam na falta de
memória das massas para vender a imagem de "salvadores da pátria".
Os que hoje bradam de
forma furiosa contra a corrupção e a malversação do dinheiro público, esquecem,
talvez por conveniência, que tal prática existe desde a época em que estas
terras eram colônia, se constituindo numa herança perversa absorvida ávida a
prazerosamente por uma elite que sempre achou que trabalho é coisa de seres
inferiores e que conseguir o que se quer usando de “atalhos” é sinônimo de
inteligência e esperteza, o que originou a abominável expressão “jeitinho
brasileiro”, que nada mais é senão sinônimo de safadeza.
Para citar alguns
exemplos recentes na história do país houve, ainda sob a égide do regime
militar, o tristemente famoso escândalo da mandioca ocorrido em Pernambuco no
final dos anos 70 e que resultou até no assassinato de um procurador de justiça, já nos anos 80 proliferaram escândalos financeiros, como os dos grupos Coroa
Brastel e Delfin, e dos Bancos Nacional e Econômico (este último de propriedade
de um ex-ministro de estado), sem falar do à época célebre escândalo dos anões
do orçamento isso já nos anos 90. Para os que não lembram o chefe dos anões,
deputado João Alves, declarou ter sido premiado centenas de vezes na loteria para
justificar seu patrimônio. Ah foi também nos anos 90 que se criou um programa
de socorro aos pobres banqueiros nacionais que, estavam quebrados, o PROER, ou
seja, enquanto a imensa maioria do país encontrava-se com salários arrochados
ou desempregada, o governo da época socorria os pobres donos de bancos que, por
ganância, incompetência ou coisa pior, estavam na bancarrota.
Urge percebermos que
corrupção não é marca registrada de grupos ou facções, mas sim desvio de
caráter, conduta criminosa que dever ser exemplarmente combatida com práticas
cotidianas, pois, o sujeito que suborna o guarda de trânsito, que paga propina
para obter facilidades em órgãos públicos, que frauda um concurso público, em
nada se difere dos envolvidos no famigerado mensalão. É fundamental que a
população tenha a percepção de que práticas danosas ao interesse social existem
em todo lugar, o que as inibe é o combate eficaz, é a convicção de que
constatadas as irregularidades e identificados seus autores, os mesmos não
ficarão impunes, pois, é a impunidade a combustível que estimula sua
continuidade, para isso necessariamente teremos que ter leis eficazes, o que só
será possível se elegermos pessoas sérias e competentes, uma vez que serão elas
as responsáveis pela elaboração de tais leis. O binômio seriedade e competência
se constituiu em “conditio sine qua” para a realização desse objetivo. Não
basta apenas um desses predicados, muitas pessoas apesar de sérias não possuem
o conhecimento exigido para ocupar um cargo público, podendo ser enganadas em
sua boa fé, outras, ao contrário, podem mostrar-se extremamente capacitadas,
porém, com índole para o crime. Logo, conclui-se que a seriedade, a
honestidade, deve andar de mãos dadas com a competência, se de fato se quer
fazer desse um país de e para as pessoas de bem, sem apelos demagógicos, mas
sobretudo sem arroubos de reacionarismo como tem sido observado em manifestações país afora, inclusive por alguns pretensos formadores(as) de opinião. Nesse processo assume especial
relevância o papel de um poder a quem cabe administrar a justiça, o judiciário,
que deve a todo custo conquistar a confiança da sociedade, pois, um judiciário
fraco, desacreditado ou inepto, se constituiu em uma grave ameaça ao estado de
direito e, consequentemente ao regime democrático.
P.S. Uma sociedade esclarecida pensa por si própria, não precisa que lhe formem as opiniões.
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P.S. Uma sociedade esclarecida pensa por si própria, não precisa que lhe formem as opiniões.
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