ERA NAPOLEÔNICA -
CONGRESSO DE VIENA
A sociedade francesa
estava passando por um momento difícil com os processos revolucionários
ocorridos no país, de um lado com a burguesia insatisfeita com os jacobinos,
formados por monarquistas e revolucionários radicais, e do outro lado as
tradicionais monarquias européias, que estavam temendo que os ideais
revolucionários franceses se difundissem pelos seus reinos.
O governo do Diretório foi
derrubado na França sob o comando de Napoleão, que junto com a burguesia, instituiu
o "consulado", primeira fase do governo de Napoleão. Este golpe ficou
conhecido como golpe 18 de Brumário' (data que corresponde ao calendário
estabelecido pela Revolução Francesa e equivale a 9 de Novembro do calendário
gregoriano) em 1799. Muitos historiadores alegam que Napoleão fez questão de
evitar que camadas inferiores da população subissem ao poder.
O fim do processo
revolucionário na França, com o Golpe 18 de Brumário, marcou o início de um
novo período na história francesa, e conseqüentemente, da Europa: a Era
Napoleônica.
Seu governo pode ser
dividido em três partes:
1. Consulado (1799-1804)
2. Império (1804-1814)
3. Governo dos Cem Dias
(1815)
Consulado
O governo do consulado de
Napoleão foi instalado após a queda do Diretório. O consulado possuía
características republicanas, além de ser centralizado e controlado pelos
militares. No poder Executivo, havia três pessoas que eram responsáveis: os
cônsules Roger Ducos, Emmanuel Sieyès e o próprio Napoleão. Apesar da presença
de outros dois cônsules, quem mais tinha força e poder no Executivo era
Napoleão, que foi eleito primeiro-cônsul da República.
Novas instituições foram
criadas com a Constituição de Dezembro de 1799, com cunho democrático, eram
criadas para disfarçar o seu centralismo no poder. As instituições criadas
foram o Senado, Tribunal, Corpo Legislativo e o Conselho de Estado. Mas o
responsável pelo comando do exército, pela política externa, pela autoria das
leis e quem nomeava os membros da administração era o primeiro-cônsul(Napoleão
Bonaparte).
Quem estava no centro do
poder na época do consulado era a burguesia (os industriais, os financistas e
comerciantes), e consolidaram-se como o grupo dirigente na França. Os ideais
"liberdade, igualdade, fraternidade", da época da Revolução Francesa
foram abandonados, e através da forte censura à imprensa e ação violenta de
órgãos policiais, a oposição ao governo foi destruída.
Reforma dos setores do
governo francês
Durante o período do
consulado, uma recuperação econômica, jurídica e administrativa ocorreu na
França. Napoleão realizou diversos feitos em áreas diferentes durante este
período.
Economia - o Banco da
França foi criado, em 1800, controlando a emissão de moedas, reduzindo a
inflação. As tarifas impostas eram protecionistas (ou seja, com aumento de
impostos para a importação de produtos estrangeiros), o resultado geral foi uma
França com comércio e indústria fortalecidos, principalmente com os estímulos a
produção e consumo interno.
Religião - com o objetivo
de usar a religião como instrumento de poder político, Napoleão assinou um
acordo, o Tratado (1801), entre a Igreja Católica e o Estado. O acordo sob
aprovação do papa, dava o direito do governo francês de confiscar as
propriedades da Igreja, e em troca, o governo teria de apoiar o clero. Napoleão
reconhecia o catolicismo como a religião da maioria dos franceses, mas dava o
direito de escolher bispos, que mais tarde seriam aprovados pelo papa.
Direito - o Código
Napoleônico, um código civil, foi estabelecido, representando em grande parte
interesses dos burgueses, como casamento civil (separado do religioso),
respeito à propriedade privada, direito à liberdade individual e igualdade de
todos perante à lei.
Educação - o ensino foi
restaurado e a preferência foi a formação do cidadão francês. A educação
pública foi reconhecida como importante meio de formação das pessoas,
principalmente nos aspectos do comportamento moral, político e social.
Administração - pessoas da
confiança de Napoleão eram indicadas aos cargos administrativos.
Após uma década de
conflitos gerais no país, com a Revolução Francesa, as medidas aplicadas deram
para o povo francês a esperança de uma estabilização do governo. Os resultados
obtidos neste período do governo de Napoleão agradaram à elite francesa. Com o
apoio destas, Napoleão foi elevado ao nível de cônsul vitalício em 1802,
podendo indicar seu sucessor. Esta realização implicou na instituição de um
regime monárquico.
Império
A opinião pública foi
mobilizada pelos apoiadores de Napoleão, que levou à aprovação para a
implantação definitiva do governo do Império. Em plebiscito realizado em 1804,
a nova fase da era napoleônica foi aprovada com quase 60% dos votos, e o regime
monárquico foi reinstituído na França, e Napoleão foi declarado para ocupar o
trono.
Foi realizada uma festa em
2 de Dezembro de 1804 para formalizar a coroação do agora Napoleão I na
catedral de Notre-Dame. Um dos momentos mais marcantes da história ocorreu nesta
noite, onde um ato surpreendente, Napoleão I retirou a coroa das mãos do Papa
Pio VII, que tinha viajado especialmente para a cerimônia, e ele mesmo se
coroou, numa atitude para deixar claro que não toleraria alguma autoridade
superior á dele. Logo após também coroou sua esposa, a imperatriz Josefina.
Títulos de nobreza foram
concedidos aos familiares de Napoleão, por ele mesmo. Além disso, colocou-os em
altos cargos públicos. Uma nova corte com membros da elite militar, da alta
burguesia e da antiga nobreza foi formada. Para celebrar os triunfos de seu
governo, Napoleão I construiu monumentos grandiosos, como o Arco do Triunfo.
O Império Francês atingiu
sua extensão máxima neste período, em torno de 1812, com quase toda Europa
Ocidental e grande parte da Oriental ocupadas, possuindo 150 departamentos, com
50 milhões de habitantes, quase um terço da população européia da época.
Expansão territorial
militar
Neste período, Napoleão
realizou uma série de batalhas para a conquista de novos territórios para França.
O exército francês aumentou o seu número de armas e combatentes, e tornou-se o
mais poderoso de toda a Europa.
Pensando que a expansão e
o crescimento econômico e militar da França era uma ameaça a Inglaterra, os
diplomatas ingleses formaram coligações internacionais para se opor ao novo
governo francês e ao seu expansionismo. Também acreditavam que o governo
francês poderia influenciar países que estavam sob o sistema absolutista e
assim causar uma revolta. A primeira coligação formada para deter os franceses
era constituída pela: Inglaterra, Áustria, Rússia e Prússia.
Em Outubro de 1805, os
franceses usaram a marinha para atacar a Inglaterra por mar, mas não tiveram
sucesso, derrotados pela marinha inglesa, comandada pelo almirante Nelson,
batalha que ficou conhecida como Batalha de Trafalgar, firmando o império naval
britânico.
Ao contrário do fracasso
com os ingleses, os franceses venceram os seus outros inimigos da coligação,
como a Áustria, em 1805, na Batalha de Austerlitz, além da Prússia em 1806 e
Rússia em 1807.
Bloqueio Continental
Na busca de outras
maneiras para derrotar ou enfraquecer os ingleses, o Império Francês impôs o
Bloqueio Continental em 1806, onde Napoleão impunha que todos os países
europeus deveriam fechar seus portos para o comércio com a Inglaterra,
enfraquecendo as exportações do país e causando uma crise industrial.
Um problema que afetou
muitos países que participaram do Bloqueio continental era que a Inglaterra,
que já tinha passado pela Revolução Industrial, estava com uma firme produção
de produtos industriais, e muitos países europeus ainda não possuíam produção
industrial própria, e dependiam da Inglaterra para importar este tipo de
produto, em troca de produtos agrícolas.
A França procurou-se
beneficiar no Bloqueio continental com o aumento da venda dos produtos
produzidos pelos produtores franceses, aumentando as exportações dentro da
Europa e no mundo. A fraca quantidade de produtos manufaturados deixou alguns
países sem recursos industriais.
Mapa com o limite do bloqueio
continental e conquistas e derrotas de Napoleão.
Derrota francesa na Rússia
Em 1812, a aliança
franco-russa é quebrada pelo czar Alexandre, que rompe o bloqueio contra os
ingleses. Napoleão empreende então a campanha contra a Rússia. Entra em Moscou
e, durante a retirada, o frio e a fome diminui grande parte do Exército
francês. Enquanto isso, na França, o general Malet, apoiado por setores
descontentes da burguesia e da antiga.
Invasão dos aliados na
França e derrota de Napoleão
Tem início então a luta da
coalizão européia contra a França. Com a capitulação de Paris, o imperador é
obrigado a abdicar.
Governo dos Cem Dias
O Tratado de
Fontainebleau, de 1814, afasta Napoleão da ilha de Elba, de onde foge no ano a
seguir. Desembarca na França com um Exército e reconquista o poder. Inicia
então o Governo dos Cem Dias. A Europa reunida prossegue a sua luta contra o
Exército francês. Napoleão entra na Bélgica em Junho de 1815, mas é derrotado
pelos ingleses na Batalha de Waterloo e renuncia pela segunda vez, pondo fim ao
Império Napoleônico.
Congresso de Viena
O Congresso de Viena foi
uma conferência entre embaixadores das grandes potências européias que teve
lugar na capital austríaca, entre 1 de Outubro de 1814 e 9 de Junho de 1815,
cuja intenção era a de redesenhar o mapa político do continente europeu após a
derrota da França napoleônica na primavera anterior, bem como restaurar aos
respectivos tronos as famílias reais derrotadas pelas tropas de Napoleão
Bonaparte e firmar uma aliança entre os signatários.
Os termos de paz foram
estabelecidos com a assinatura do Tratado de Paris (30 de Maio de 1814), no
qual se estabeleciam as indenizações a pagar pela França aos países vencedores.
Mesmo diante do regresso ex-imperador Napoleão I do exílio, tendo reassumido o
poder em França em Março de 1815, as discussões prosseguiram, concentradas em
determinar a forma de toda a Europa depois das guerras napoleônicas. O Ato
Final do Congresso foi assinado a 9 de Junho de 1815, nove dias antes da sua
derrota final de Napoleão na batalha de Waterloo.
Diretrizes do Congresso
Momento de reação
conservadora na Europa, articulado na presença de representantes dos diversos
países vencedores de Napoleão, o objetivo declarado deste fórum era o de
solucionar os problemas suscitados no continente desde a Revolução Francesa
(1789) e as conquistas napoleônicas. Em linhas gerais pretendia-se:
- Refazer o mapa político
da Europa, recriando ou suprimindo Estados;
- Restaurar o Antigo
Regime, a ordem feudal e absolutista em todas as regiões afetadas pelos ideais
liberalistas franceses desde 1789;
- Restabelecer um
equilíbrio europeu, procurando impedir que um único país fosse suficientemente
forte (como a França o fora) para derrotar militarmente todos os demais países
europeus unidos;
- Restaurar as antigas
monarquias depostas a partir de 1789. Sob o Princípio da Legitimidade,
retornaram ao poder os Bragança em Portugal, os Bourbon na França (Luís XVIII)
e na Espanha (Fernando VII), os Orange na Holanda, e os Sabóia no Piemonte.
- Redistribuir os
territórios conquistados pela França desde 1789 e punir com a perda de terras
os aliados de Napoleão Bonaparte. Pelo Princípio das Compensações os maiores
beneficiados foram as potências responsáveis pela vitória militar sobre a
França: Inglaterra, Rússia, Prússia e Áustria. Para não desmembrar o território
continental francês, essa potências obtiveram compensações territoriais em
outras regiões.
Na verdade, sobraram
terras na Europa sem um Estado para ocupá-las. O Congresso de Viena, de fato,
não conseguiu restaurar os governos políticos antes das Invasões Napoleônicas.
O Congresso de Viena
representou uma tentativa das forças conservadoras européias para deter o
avanço do Liberalismo e do Nacionalismo de diversos povos (poloneses, belgas,
finlandeses, gregos e outros) que se encontravam dominados politicamente pelos
impérios então existentes. Também serviu como um instrumento de contenção dos
movimentos revolucionários liderados pela burguesia.
Material reproduzido do
blog do professor ADRIANO FERREIRA MOREIRA
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